O trastorno de ansiedade generalizada (TAG) afeta a qualidade de vida: saiba mais

Ficar ansioso diante de situações que podem provocar medo, dúvida ou expectativa é normal do ser humano. No entanto, quando esse sentimento persiste por longos períodos de tempo e passa a interferir nas atividades do dia a dia, a ansiedade deixa de ser natural e passa a ser motivo de preocupação.

A TAG, ou Transtorno de Ansiedade Generalizada, é um estado persistente de expectativa apreensiva, como se algo ruim estivesse na iminência de acontecer. A pessoa vive em constante estado de sobressalto, ofegante, com tonturas, palpitações, suores frios, e com o sono entrecortado e com pesadelos.

“É um transtorno crônico, indutor de grande desgaste emocional, que impacta na qualidade de vida”, esclarece o psiquiatra e professor William Azevedo Dunningham. O médico alerta que normalmente a pessoa pode apresentar baixo desempenho profissional, dificuldade de relacionamento com os outros e dificuldade sexual.

Além disso, a TAG representa fator de risco para deficiência imunológica, alterações do metabolismo dos carboidratos e das gorduras, e para doenças cardiovasculares.

De acordo com o psiquiatra os episódios que podem desencadear esse transtorno geralmente ocorrem na infância que teve um ambiente familiar insatisfatório, abusivo, instável, ou, em um passado recente, com enfrentamento de circunstâncias estressantes que representam o “gatilho” para o aparecimento dos sintomas. “Há uma predisposição genética, mas insuficiente para determinar isoladamente o aparecimento do transtorno”.

A TAG atinge mais mulheres do que homens, e a causa pode estar em uma combinação de fatores, como mudanças hormonais e maior exposição ao estresse emocional.

E também pode surgir em crianças na idade escolar, com sintomas similares aos dos adultos, e outras ocorrências como terror noturno, recusa em ir à escola, e falta de atenção nas aulas e com os deveres de casa.

 

Tratamento

Assim que surgirem os sintomas, e na ausência de fatores que os justifiquem, tanto o adulto quanto a criança deve procurar ajuda de um especialista. O tratamento geralmente associa técnicas psicoterapêuticas, principalmente a terapia interpessoal, e a cognitivo-comportamental. Pode haver necessidade de tratamento farmacoterápico.

De acordo com o psiquiatra raramente a pessoa consegue uma recuperação absoluta, mas pode haver atenuação significativa dos sintomas. “É uma entidade clínica de curso crônico, com períodos de exacerbação e refluxo, de acordo com as circunstâncias que cercam a vida do indivíduo. Mas há uma grande melhora das condições de vida”.